O Outfest tornou-se, este ano, num festival de carisma internacional trazendo ao palco do Auditório Municipal Augusto Cabrita bandas como Wolf Eyes e Orthodox. Apesar de a sua presença no Outfest ter motivado a vinda de inúmeros lisboetas ao Barreiro, estes não foram os únicos a surpreender o público. Tanto TSUKI como Variable Geometry Orchestra, que actuaram no dia 16 de Junho (sábado), deram a conhecer as diversas personalidades que a música experimental pode ter, seja ela minimalista ou apetrechada com os mais variadíssimos instrumentos, desde as mesas de mistura aos instrumentos de sopro e de cordas, o que interessa é a criatividade (até mesmo no que toca à invenção de instrumentos musicais) e o feeling que, como dizia Ernesto Rodrigues (violinista e líder da VGO), é fundamental no improviso.
Este ano o Outfest está a decorrer no AMAC (excepto no dia 23 de Junho) permitindo, deste modo, que a organização do evento disponibilizasse melhores condições às bandas e ao público. Lugares sentados, bar e casas de banho à disposição e segurança reforçada tornaram o ambiente do festival mais intimista e agradável. Foi possível, também, a realização de exposições de pintura e fotografia, bem como uma mostra de VideoArte da autoria de Miguel Soares e, ainda, a criação de um espaço próprio para a manipulação musical, disponível para os visitantes que estejam dispostos a experimentar novos percursos sonoros através de uma mesa de mistura.
A presença dos Orthodox marcou a noite de Domingo por fugir um pouco à linguagem da música electrónica experimental sem contudo não deixar de lado o poder da distorção e as vozes electrizantes acompanhadas de uma bateria efusiva.
Este festival abre portas a novas perspectivas do mundo e da vida, pode ser um meio de reflexão e introspecção e, ao mesmo tempo, apelar à destruição do raciocínio onde só contam as pulsões vitais. Foi assim que os Wolf Eyes fecharam o espectáculo, num encore invulgar que se tornou o auge da noite, o público foi chamado ao palco para o encontro final e imediato com a electrónica, ou seja, com os impulsos delirantes que libertam e fazem renascer diferentes visões do ser humano em relação às novas tecnologias musicais.
terça-feira, 19 de junho de 2007
sábado, 16 de junho de 2007
OUTFEST 2007
Começa hoje (16 de Junho) o festival de música e imagem do barreiro.
Consultem:
http://www.outfest.pt.vu/
quinta-feira, 14 de junho de 2007
sábado, 2 de junho de 2007
"Little Miss Sunshine"
O filme Little Miss Sunshine (ou Uma família à beira de um ataque de nervos, em português) é sobre uma criança (do sexo femenino) que gostava de ganhar o concurso Miss Sunshine, e a viagem que a família tem que fazer até conseguirem chegar ao local do concurso.
Apesar dos críticos terem apreciado muito o film e este ter ganho alguns óscares, eu honestamente não gostei. Os críticos categorizam-no como uma comédia, eu categorizo-o como uma estupidês pegada. O filme não me parece ter sentido, e o final ainda menos sentido tem.
Sinceramente não sei se posso dizer muito mais acerca deste filme. Não tenho palavras para o descrever. Não estou a dizer que é uma autêntica porcaria, mas eu não gostei, e não sei muito bem explicar o porquê. Já sabem, se o virem, deixem aqui a vossa opinião. *
IMDB:
Trailler:
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Apresentação
Como poucos sabem, escrevo poemas.
Hoje resolvi dar-vos a conhecer o meu blog.
Espero que leiam, espero que comentem (lá no blog :P) e se não for pedir muito, podem gostar de alguns.
Aqui fica o link Pensamento de Escape (é só clicar).
Hoje resolvi dar-vos a conhecer o meu blog.
Espero que leiam, espero que comentem (lá no blog :P) e se não for pedir muito, podem gostar de alguns.
Aqui fica o link Pensamento de Escape (é só clicar).
sexta-feira, 18 de maio de 2007
"Man of the year"
O filme Man of the year, interpretado por Robin Williams, tem como base um comediante (que dizia piadas sobre a política) que recebe uma sugestão do público para se candidatar à presidência.
Quando vi o trailer deste filme, pareceu-me ser um filme cómico e interessante de ver. Tenho a dizer que fiquei realmente desiludida. De cómico, tem pouco; de drama, tem muito! Apesar de gostar muito do actor Robin Williams, não creio que este tenha sido nem de perto o seu melhor papel. Além disso, também não gosto muito da atriz (Laura Linney), nem acho que ela represente muito bem.
Mas a história em si não era interessante, pelo menos no meu ponto de vista. Era uma ideia que podia ter resultado se a tivessem trabalhado de outra maneira.
Enfim.. opiniões são opiniões, e eu já dei a minha. Fico à espera da vossa.
Imdb:
Trailer:
"Peaceful Warrior"
Peaceful Warrior: um filme emocionante baseado numa história real. Tendo como objectivo um jovem se tornar num "guerreiro pacífico" (guerreiro pacífico aqui visto como um estado da mente), este filme vai apelar aos sentimentos e sonhos da audiência. Vai relembrar que tudo é possível se tivermos força de vontade e concentração.
E a maior mensagem que se pode aprender deste filme é: "The journey is what brings us the happiness, not the destination". Esta frase, que vai ficar para sempre marcada na minha memória, tem múltiplos sentidos, mas todos eles, no final, vão dar ao mesmo: aproveitar a vida, lutar pelos sonhos, viver o presente. Porque não interessa se ganhamos uma medalha ou não, se o hotel que marcamos era de sonho ou não, se chegamos ao fim e temos o que queremos... porque o caminho, aquele caminho onde vamos excitados, esperançosos, e mais felizes que uma criança na manhã de Natal... esse caminho é que nos dá de facto a felicidade. Porque podemos chegar ao fim e termos uma desilusão... mas o caminho foi feliz! O caminho foi cheio de esperança e excitação e tudo mais.
Mais uma vez, aconcelho a ver este filme. Lá está, um jovem a tentar alcançar o seu objectivo (os meus preferidos). E o facto de ser baseado numa história real... só o torna mais maravilhoso! É talvez um pouco dramático de mais... mas pronto... é um filme, tem que ser assim. Deixo ao vosso critério verem o filme e deixarem aqui a vossa opinião.
Imdb:
http://www.imdb.com/title/tt0438315/
Trailer:
http://www.apple.com/trailers/universal/peacefulwarrior/
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Legalização da Marijuana em Portugal?
No próximo Sábado (dia 5 de Maio), realizar-se-à na Grande Lisboa e no Porto a Marcha Global da Marijuana para a LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS LEVES, esta marcha está inserida na organização mundial "Global Marijuana March" que junta mais de 200 cidades de todo o mundo.
Em lisboa: às 16 horas concentração no Jardim das Amoreiras (Mãe d'Água), marcha até ao largo do Rato com destino ao largo do Camões.
No Porto: às 15 horas concentração na praça do Marquês de Pombal, parada com soundsystems pela Rua de Santa Catarina finalizando na praça D. João I.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
25 de Abril, sempre!
J. C. Ary dos Santos
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passados
e chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeçada cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
Uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavamos cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos— cumpriu-se a revolução.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser.
Pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletáriada nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Como diz Jorge Palma: "A liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo"
Viva a Liberdade!
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Em águas profundas...
Em águas profundas,
De terrenos mortos,
Viviam imundas.
Em contornos tortos.
Longe da claridade,
Do calor e da coloração,
Desprovidos de vaidade,
Desprovidos de paixão?
A sua vida tem um custo,
Uma luta incessante,
Um mundo em tudo injusto
Um número inconstante.
De terrenos mortos,
Viviam imundas.
Em contornos tortos.
Longe da claridade,
Do calor e da coloração,
Desprovidos de vaidade,
Desprovidos de paixão?
A sua vida tem um custo,
Uma luta incessante,
Um mundo em tudo injusto
Um número inconstante.
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